Não sou plus-size, mas caso fosse, teria orgulho de dizer. Sim, jogo aberto, sem hipocrisia, não percamos tempo com isso. É verdade que a maioria esmagadora das mulheres vaidosas (me refiro apenas à estas, porque sabemos que existem as que “não ligam para sua beleza exterior”: aham, sem comentários – isso pode ser pauta para outro post!), liga sim para o próprio peso, a prova disso é o sucesso que zilhões de dietas loucas fazem por aí.
Mas a questão que merece alarde, não é a preocupação com o peso em si, afinal nos dias de hoje, 9 entre 10 mulheres que estão acima do seu peso normal, querem perder os quilinhos a mais. É aí que está: os quilos a mais! Ou seja, aqueles que estão sobrando, que não deveriam estar ali e se principalmente forem os que podem fazer mal à sua saúde, o que é coisa séria. Há uma diferença exorbitante entre esta acima do seu peso (ou seja: esta fora do seu IMC *índice de massa corpórea*- cálculo baseado na relação do seu peso com a sua altura. Você pode calcular o seu aqui), e ter uma imagem distorcida de si mesma.
É o caso da anorexia, que atinge um número inacreditável de pessoas, a maioria jovens adolescentes de 14 a 18 anos de idade, e que é antes de mais nada uma doença de cunho psicológico. Alimentada pela indústria opressora e padronizadora da beleza, que aliena, alimenta ilusões desnecessárias, distorce imagens, impõe estereótipos de forma deslavada, duvidosa e refutável, excluindo os que não se encaixam nesses “padrões”.
Sou magra (sim, porque não tenho problemas de distorção da minha imagem e prezo minha inteligência em não alimentar isso), peso 54 Kg, distribuídos pelos meus 1,64 m de altura. Meu IMC é considerado normal, saudável, o que me faz não ter vontade de emagrecer, nem engordar. Meu manequim é 38, ou seja, se um dia eu exagerar nos bons drinks e quiser ir a uma agência de modelos, objetivando me tornar uma, tenho 98% de chances de levar um não na cara. Por não ser alta o suficiente, não ter manequim 34 ou 36 (no máximo hein), não sou o “perfil” que essas pessoas da indústrial procuram. Ufa, que bom, bom para mim. Ainda bem que meus sonhos sempre foram outros, caso contrário estaria eu aqui, completamente frustrada e vivendo de dietas, como milhares de garotas pelo mundo, vítimas dessa crueldade. Sim, sou irascível em determinadas questões e para mim essas garotas são vítimas de uma crueldade sem tamanho.
Para começar: Quem foi o indivíduo “genial” que teve a brilhante ideia de padronizar a beleza? Não foi Vinícios de Moraes com sua discutível frase “As feias que me desculpem, mas beleza é fundamental”. A frase pode ser discutível, pois para uns a beleza pode ser fundamental sim, mas para outros – o que eu considero mais saudável – importante meeesmo é observar outras características. Porém a beleza, não se pode discutir, muito menos padronizar. O que é bonito para mim, pode não ser para fulano, mas beltrano pode concordar comigo, então paciência, as pessoas discordam e entram em conflito desde que o mundo é mundo. É isso é saudável, pois nos leva a conhecer e respeitar o ponto de vista alheio, sem necessariamente “mudar de lado”. Você não precisa mudar de ideia para respeitar o ponto de vista do outro. Não precisa ser negro para achar racismo um absurdo. Não precisa ser gay ou ter um gay na familia para respeitar os homossexuais e seus direitos. Não precisa ser magra para achar as gordinhas bonitas, ou gorda para achar as magrinhas também bonitas. E etc, etc…
A beleza esta nos olhos de quem vê! Você pode ser super magra e linda aos olhos de uns e parecer um patinho feio aos olhos de outros. Assim como uma mulher gordinha, acima do peso, fora dos padrões – chamem como quiserem – pode sim circular com um moreno, gostoso, bonito e sensual (pois a “gordinha” também é gostosa, bonita e sensual), fazendo inveja para meia dúzia de mal-amadas que vivem inconformadas com sua própria beleza. Aliás, só para deixar registrada uma curiosidade minha: Até quando terá gente estupefata por ver uma mulher fora dos padrões com um homem dentro dos padrões? Ou duvidando quando a Christina Aguilera diz estar feliz com o próprio corpo? Vejam só galera, que tal ampliar/melhorar seus conceitos e seu olhar sobre as situações? Já passou da hora hein…
Pois bem, para felicidade geral da nação, os horizontes estão se ampliando. A bola da vez (sem trocadilhos!) – que marcou um golaço -, e que me tirou um sorriso, foi um editorial da Pluz Model Magazine, estrelado pela modelo plus-size Katya Zharkova. Crítica e objetiva, a revista trás informações importantes, além das imagens “impactantes” (somente para os fracos) e belíssimas, que valem mais que mil palavras.




- Vinte anos atrás, a forma média d as modelos ponderava 8% menos do que a média das mulheres. Hoje, elas pesam 23% menos.
- Há dez anos, modelos plus-size estavam em média entre o tamanho 40 e 46. Hoje, a necessidade de diversidade de tamanho dentro da indústria da moda plus-size continua a ser questionada. A maioria das modelos nas agência estão entre o tamanho 34 e 42, enquanto os clientes continuam a expressar sua insatisfação.
- 50% das mulheres usam tamanho 42 ou maior, mas lojas de roupas padrão costumam atender aos tamanhos 42 ou menores.
Marilyn Monroe seria considerada gorda para os padrões atuais. Mas peraí, alguém arrisca chamá-la de feia?

E se alguém aí diz que ela é feia: olha a cara dela de muito preocupada com o que você pensa. haha